VOCÊ JÁ OUVIU FALAR SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER?

Observamos nos últimos anos, o envelhecimento da população. Com isso, o número de doenças neurodegenerativas, incluindo as síndromes demenciais como a doença de Alzheimer ganharam destaque, uma vez que são doenças que afetam especialmente a população idosa.

A Doença de Alzheimer (DA) faz parte do grupo de Síndromes Demenciais e é a mais comum delas. Definimos como demência uma condição adquirida, que cursa com declínio da função cognitiva do indivíduo com consequente comprometimento funcional e social. Outros tipos de demência que podemos citar são: Demência Vascular, Demência Frontotemporal, Demência da Doença de Parkinson, Demência Mista, entre outras.

A DA foi descrita pela primeira vez em 1906, por Alois Alzheimer, um psiquiatra alemão, que acompanhou entre 1901-1906 a paciente Auguste D., uma mulher de 51 anos com problemas cognitivos, desorientação, delírios e alterações comportamentais.

A Doença de Alzheimer é uma Síndrome Demencial que deve ter início gradual e declínio cognitivo contínuo e o comprometimento da memória recente costuma ser o primeiro sintoma observado pelo paciente e por seus familiares.

É a forma mais frequente de demência no idoso (50 a 70% dos casos de demência) e a sua prevalência aumenta com a idade (as taxas de prevalência dobram a cada 5 anos a partir dos 60 anos). Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são idade (sendo este o principal), fatores genéticos, hipertensão arterial, obesidade, dislipidemia, tabagismo. Por outro lado, existem os fatores de proteção contra a doença que são representados por alta escolaridade, atividades intelectuais e sociais, atividades físicas, dieta.

Os estudos anatomopatológicos de cérebros de pacientes que faleceram com DA evidenciam atrofia cerebral difusa, mais pronunciada em regiões temporais, frontais e parietais associada microscopicamente a perda neuronal e degeneração sináptica cortical. Existem duas alterações histológicas características da DA, que são as placas senis (extracelulares) e os novelos neurofibrilares (intracelulares), que parecem estar associadas ao declínio cognitivo observado nessa patologia.

Fonte: © depositphotos 

O quadro clínico da Doença de Alzheimer se caracteriza por:

Comprometimento Cognitivo: memória (comprometimento mais precoce), linguagem, funções executivas, praxias.

Alterações Comportamentais: delírios, alucinações, agressividade, perturbações do ciclo sono-vigília, alteração na alimentação, desinibição.

Atividades de Vida Diária: deterioração progressiva da capacidade do paciente em desenvolver suas atividades de vida diária, refletindo na qualidade de vida do paciente e de seus cuidadores.

 A DA tem três estágios principais, que são:

Inicial: o paciente apresenta lapsos de memória (como esquecer onde guardou objetos), mas ainda é independente. Há mudanças na personalidade e no humor.

Moderado: o paciente já apresenta dificuldade na fala e problemas na coordenação motora. Pode haver insônia, agitação, comportamento repetitivo, esquecimento de fatos importantes e de informações pessoais. É a fase mais prolongada da doença.

Grave: o paciente resiste à execução de tarefas simples (como fazer a higiene pessoal). Há dificuldades para comer e se comunicar, deficiência motora progressiva, incontinência urinária e fecal. Nesse estágio, há um grande risco de adquirir infecções (como urinária e pulmonar).

O diagnóstico é clínico! Para realizá-lo, o médico associa a anamnese realizada preferencialmente com o paciente e com um membro da família próximo ou com o cuidador, exame físico e neurológico, exames laboratoriais, exames de imagem e avaliação cognitiva.

 Sobre o tratamento, ainda não existe uma medicação que cura a DA.

O tratamento medicamentoso é realizado com a intenção de desacelerar a progressão da doença, uma vez que se trata de doença neurodegenerativa, para isso, dispomos das drogas inibidoras da colinesterase, que podem melhorar as funções cognitivas e comportamental e das drogas antagonistas dos receptores de NMDA, usadas nas fases moderada e grave.

 Orientamos ainda um tratamento sintomático individualizado de acordo com a clínica apresentada por cada paciente, como antidepressivos, para alterações do humor e neurolépticos, usados no controle dos sintomas comportamentais.

 Porém é também fundamental associar um tratamento não-medicamentoso, que envolve uma equipe multidisciplinar, com o objetivo de desacelerar a progressão da doença ou/ainda oferecer um suporte tanto ao paciente como à sua família e cuidadores, no caso de doença avançada. O tratamento não-medicamentoso consiste em: Reabilitação Cognitiva, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Musicoterapia, Terapia Ocupacional.

Uma mensagem final…

 É importante salientar que a Doença de Alzheimer é neurodegenerativa e de progressão lenta, que poderá se estabilizar por alguns anos, mas que em determinado momento poderá evoluir. E essa evolução implica na perda de funções cognitivas, comportamentais e posteriormente motoras dos pacientes acometidos. O paciente, antes provedor de uma família, passará a depender gradativamente dos cuidados de terceiros, levando a um grande desgaste físico e emocional de todas as pessoas envolvidas. Portanto é imperativo que familiares, cuidadores e pacientes tenham uma boa orientação médica e um acompanhamento multidisciplinar eficiente a fim de amenizar os transtornos emocionais e físicos provocados por essa doença.

Autor: Dra Larissy Renata Correa DeganiNeurologia Clínica – Equipe Prever Vida