Novembro Azul
Saiba mais sobre esta campanha que busca conscientizar os homens sobre a importância da prevenção do câncer de próstata.

O mês de novembro é marcado mundialmente pela campanha contra o câncer de próstata.

O “Novembro Azul”, como é chamado no Brasil, e o “Movember”, como é conhecido mundialmente o movimento contra a doença, são campanhas que procuram conscientizar a população masculina sobre a importância das visitas ao urologista para o diagnóstico precoce de tumores na próstata.

O câncer de próstata é uma doença que depende apenas da idade do indivíduo e de sua herança genética para se desenvolver. Mas isso não significa que o câncer de próstata é letal para todos os homens, pois as chances de cura para quem descobre o tumor precocemente são de até 95%..

Mesmo com elevadas chances de cura, esse tipo de tumor é o mais frequente no sexo masculino depois do câncer de pele e o sexto mais comum no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A taxa de letalidade entre os diagnosticados é de 20%, enquanto nos EUA não chega a 12%..

Especialistas acreditam que a alta mortalidade por câncer de próstata no Brasil reflete a postura do homem de não frequentar o consultório do urologista com a frequência necessária. As visitas deveriam ser anuais para quem tem 45 anos ou mais. .

Uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Urologia envolvendo 3.500 homens constatou que 51% dos indivíduos do sexo masculino não procuram o urologista. Os entrevistados tinham mais de 45 anos, idade já considerada de risco para o desenvolvimento da doença.

“A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que pessoas com histórico de câncer de próstata ou de mama na família procurem um urologista a partir dos 45 anos, numa frequência anual. Quem não tem histórico pode procurar após os 50, também numa frequência anual”, esclarece o presidente da seccional paulista da entidade, o urologista Roni de Carvalho Fernandes. .

O médico deve ser consultado anualmente a partir dessa idade porque o câncer de próstata é assintomático, ou seja, não há qualquer sinal de que o indivíduo tenha o tumor antes que ele chegue a um nível crítico.
“A pessoa não sente o tumor na fase inicial. Às vezes, o que pode acontecer é o paciente confundir sintomas de outro problema com um câncer de próstata. No entanto, qualquer homem que sentir dificuldade ao urinar deverá procurar um especialista”, alerta Fernandes.

Caso a doença seja descoberta no início, o paciente poderá passar por uma cirurgia que irá retirar a próstata. Atualmente, esses procedimentos são minimamente invasivos e já são feitos com o auxílio de robôs.
“Em alguns casos, a cirurgia poderá deixar algumas sequelas como dificuldade para urinar e até impotência. Contudo, as sequelas são contornáveis com outros tratamentos”, explica o especialista. .

Maior risco para negros.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, os homens negros correm três vezes mais risco de desenvolver câncer de próstata e tendem a ser diagnosticados cinco anos mais cedo.

No Brasil, um trabalho realizado com 470 homens pelo urologista Edson Paschoalin no município de Ipirá, na Bahia, revelou que a incidência de câncer de próstata foi nove vezes maior nos negros do que nos brancos.

De acordo com o Inca, os estadunidenses, jamaicanos e caribenhos com ascendência africana apresentam as mais altas taxas de incidência do câncer de próstata do mundo, o que pode ser atribuído, em parte, à hereditariedade (cerca de 5% a 10%).

O urologista Roni Fernandes aponta que o fato de os negros manifestarem o câncer de próstata mais cedo pode estar relacionado com os níveis de testosterona desses indivíduos.
“As explicações para tal achado populacional não estão claras, mas sabemos que os negros manifestam mais cedo a doença. Como ela tem uma ligação com o estímulo da testosterona –  e neste grupo se sabe que a testosterona tem valores mais elevados -, talvez por isto se manifeste tão cedo.”

Contudo, o médico enfatiza que a testosterona não dá câncer e diz que a doença se manifesta mais cedo apenas em quem já tem a predisposição.

Em alguns casos, o tratamento para a doença incluiu terapia de redução de testosterona no organismo, o que tem se mostrado bastante eficaz para conter o crescimento do tumor.

Revisão técnica
Prof. Dr. Max Grinberg
Núcleo de Bioética do Instituto do Coração do HCFMUSP
Autor do blog Bioamigo

Fonte: Coração e Vida