15 respostas às principais dúvidas sobre o sarampo
Especialistas esclarecem questões sobre a doença, os sintomas e a vacinação

O avanço dos casos registrados de sarampo no país em 2019 e os surtos ocorridos em São Paulo, Pará e Rio de Janeiro estão levantando uma série de dúvidas sobre a doença e a vacinação.

Para ajudar a tirar dúvidas sobre a doença, a BBC News Brasil conversou com Regiane de Paula, diretora do Cento de Vigilância Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e Eliane Matos dos Santos, médica da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que responderam às principais questões sobre o sarampo.

O que é o sarampo?

Uma doença infecciosa aguda, transmitida por vírus e altamente contagiosa. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade, e a transmissão se dá de forma direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, respirar e falar.

Quais são os sintomas?

Os primeiros sintomas são febre alta (acima de 38,5°C) com duração de quatro a sete dias e manchas avermelhadas na pele que começam no rosto e atrás das orelhas e depois se espalham pelo corpo. As manchas geralmente aparecem entre 10 e 12 dias após o contato com o vírus e podem vir acompanhadas de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal.

Por que o sarampo voltou?

Essa epidemia é um fenômeno global: em 2019, os casos notificados no mundo cresceram 300% nos primeiros três meses em comparação com o mesmo período de 2018. No Brasil, a doença reapareceu na região Norte em 2018. O problema é que a cobertura da vacina contra o sarampo está abaixo do patamar ideal no país, que é acima de 95%. Segundo o Ministério da Saúde, em 2018 o índice foi de 90,80%. E existem várias razões para isso: medo de reação à imunização; desconhecimento do calendário de vacinação específico para adultos e idosos; falsa sensação de segurança, já que muitas doenças estão controladas; notícias falsas e grupos antivacina.

Quais são as possíveis complicações?

As mais comuns são infecções respiratórias (broncopneumonia e pneumonia, por exemplo), otites, diarreia grave e doenças neurológicas, como encefalite (inflamação do cérebro). Elas são mais frequentes em crianças de até dois anos de idade, sobretudo nas desnutridas, adultos jovens e indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade, e podem deixar sequelas, tais como diminuição da capacidade mental, cegueira, surdez e retardo do crescimento. O agravamento da doença ainda pode levar à morte.

Como é o tratamento?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Para os casos sem complicação, é importante manter uma boa hidratação, suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Quando o quadro se agrava e surgem, por exemplo, diarreia, pneumonia e otite média, essas situações devem ser tratadas, normalmente, com antibióticos. No caso de crianças acometidas pela enfermidade, a Organização Mundial da Saúde recomenda a administração de vitamina A, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais.

Como prevenir a doença?
A vacina é a medida de prevenção mais eficaz contra o sarampo.

Quem deve se vacinar contra o sarampo?

Quem nunca tomou a vacina e quem não tem certeza se já tomou. A tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, deve ser tomada aos 12 meses de vida, e a tetra viral –que também previne contra catapora– aos 15 meses. Quem tem entre 10 e 29 anos e não tomou a vacina quando criança precisa receber duas doses da tríplice viral. Na faixa etária de 30 a 49 anos, a dose é única.

Quando há surto, é preciso se vacinar novamente?
Não. Quem já tomou vacina contra o sarampo para sua faixa etária não precisa receber a vacina novamente.

Por que os jovens de 15 a 29 anos são o foco das campanhas atuais?

Pessoas de qualquer idade precisam ter as duas doses da vacina, mas os jovens dessa faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação, por isso muitos não a tomaram e não estão totalmente protegidos.

Para quem a vacina contra o sarampo não é indicada?

Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas, quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade.

Quem já teve a doença precisa se vacinar?
Não. Quem já foi infectado com o vírus desenvolveu anticorpos contra ele e não precisa se vacinar porque não pegará a doença de novo.

Do que a vacina é feita?
A vacina é feita de vírus vivo enfraquecido para estimular o sistema imunológico a desenvolver anticorpos para combater os “invasores”.

Quanto tempo ela demora para fazer efeito?

Duas semanas. Quem vai viajar para locais com incidência da doença e não foi vacinado antes deve procurar um posto de saúde ao menos 15 dias antes da viagem.

A vacina tem efeitos colaterais?

Algumas pessoas podem ter reações, mas, no geral, elas são leves, benignas, de curta duração e autolimitadas. As mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação e febre.

Onde tomar a vacina?

A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente o ano todo nas unidades básicas de saúde. Em São Paulo, por causa do surto atual, a aplicação também tem sido realizada em postos volantes instalados em estações do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), da ViaQuatro e da ViaMobilidade.
Há ainda a opção de tomar a vacina em clínicas particulares, só que, nestes locais, ela é paga.

Fonte: https://www.vivaalongevidade.com.br

Imagem: Criança com Sarampo – pixabay

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